Depois de ter me ausentado por um tempo estou eu aqui de novo, novamente, mais uma vez p’ra fazer parte desse mundialmente conhecido blog do meu grande amigo Diego Nunes que um dia ainda vai comprar a Microsoft...hehe...
Bom primeiramente gostaria de dizer pro meu + novo colega de coluna Jean Francisco: Seja Bem-Vindo... Já tens um leitor assíduo aqui!
Bom agora aqui vou eu mostrar mais um conto do Veríssimo... Mas esse agora com um teste de masculinidade... Muito bom!!!
Homem Que É Homem
Homem que é Homem nao usa camiseta sem manga, a não ser para jogar
basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em
conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para
mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem
- de agora em diante chamado HQEH - não deixa sua mulher mostrar a bunda
para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para
ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar
por mais de 30 segundos, dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher
insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro.
HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingnar
Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator
mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é
tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda
à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida,
precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que
se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem
que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo
você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando
ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar,
você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica
inerente à jactancia sexual do homem latino. Depois começa a pensar no
que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada
brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação,
de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas
vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 - uma
história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas -
você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia
a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manixem
outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de
cebolinhas em conserva. HQEH arrota e não pede desculpas.
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia
esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você
reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH.
Se pensar muito, nem precisa responder: você não é HQEH. HQEH não pensa
muito!
Situação 1
Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito em
francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta que
significa o nome de um determinado prato ao maitre. Você tem certeza que
o maitre está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maitre
levará mais tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois
o que vem é uma pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho
aproximado de uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come
de um golpe só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com
inveja. Sua acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não
deu tempo para saber. O prato principal vem trocado. Você tem certeza
que pediu um "Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem
qualquer acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard
melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão,
mas muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode agüentar.
Quando vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo boeuf" que
não veio. Você:
a) paga assim mesmo para não dar à sua companhante a
impressão de que se preocupa com coisas vulgares como dinheiro, ainda
mais o brasileiro;
b) chama discretamente o maitre e indica o erro,
sorrindo para dar a entender que, "Merde, alors", estas coisas acontecem;
ou
c) vira a mesa, quebra uma garrafa de vinho contra a parede e,
segurando o gargalo, grita: "Eu quero o gerente e é melhor vir sozinho!"
Situação 2
Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga - se bem que HQEH
não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado - a entrar para um curso de
Sensitivação Oriental. Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba
sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado. Todos
sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você,
que, como está um pouco fora de forma, só pode sentar na posição do
arbusto despencado pelo vento.
Durante 15 minutos todos devem fechar os olhos, juntar as pontas dos
dedos e fazer "rom", até que se integrem na Grande Corrente Universal
que vem do Tibete, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente
Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar
para o Oriente. Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a
pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos. Não se
surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar as suas orelhas com
força para lembrá-lo da dualidade de todas as coisas. Durante o "rom"
você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente
universal, embora comece a sentir uma sensação diferente que depois
revela-se ser caimbra. Você:
a) finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém;
b) finge que não entendeu bem as instruções,
engatinha fazendo "rom" até o lado daquela grande loura e, na hora de
tocar o seu rosto, erra o alvo e agarra os seios, recusando-se a
soltá-los mesmo que o japonês quase arranque as suas orelhas;
c) diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda
mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado.
Situação 3
Você está numa daquelas reuniões em que há lugares de sobra para sentar,
mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num
almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa. Sua
mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas,
com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode. O jantar
é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de
vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o
pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que
algumas semanas mais velho. Aí o cabeleireiro de cabelo mechado ao seu
lado oferece:
- Se quiser usar o meu...
- O seu...?
- Joelho.
- Ah...
- Ele está desocupado.
- Mas eu não o conheço.
- Eu apresento. Este é o meu joelho.
- Não. Eu digo, você...
- Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu estivesse oferecendo a
perna toda você ia pedir referências. Ti-au.
Você:
a) resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças;
b) leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e
ir“nico, observando aquele curioso painel humano e organizando um
casamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para
a decadência sem a etapa intermediária da civilização; ou
c) pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Hesston
com um soco.
Se você escolheu a resposta a para todas as situações, não é um H2EH. Se
você escolheu a resposta b, não é um HQEH. E se você escolheu a resposta
c, também não é um HQEH. Um HQEH não responde a testes. Um HQEH acha que
teste é coisa de veado.
Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do
nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin.
O que seria deste país se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em
algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à
navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou morte",
"Independência ou Alternativa Viável, Levando em Considera‡Æo Todas as
Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José
do Patrocínio de colant? O Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só?
Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de
partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e
abriam a braguilha. Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na
direção que o pau apontasse. Profissão para um HQEH é motorista de
caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier,
dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam
com o radiador. No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou
centroavante. Meio-de-campo é coisa de veado. Mulher do amigo de Homem
que é Homen é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem
por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança
mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa assim,
extraconjugal mas assumida, entende? Que isso é papo de muIher pra dar
pra todo mundo. HQEH acha que movimento gay é coisa de veado.
HQEH nunca vai a vernissage.
HQEH não está lendo a Marguerite Yourcenar, não leu Marguerite Yourcenar
e não vai ler a Marguerite Yourcenar.
HQEH diz que não tem preconceito mas que se um dia estivesse numa mesma
sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.
Coisas que você jamais encontrará em um HQEH: batom neutro para lábios
ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito, o telefone do Gabeira,
entradas para um espetáculo de mímica.
Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "Ton sur ton" "Vamos ao
balé?", "Prove estas cebolinhas".
Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer: "Assumir", "Amei", "Minha
porção mulher", "Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em
cima do puf'.
Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.
HQEH acha que ainda há tempo de salvar o Brasil e já consegiu a adesão
de todos os Homens que são Homens que restam no país para uma campanha
de regeneração do macho brasileiro.
Os quatro só não têm se reunido muito seguidamente porque pode parecer
coisa de veado.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
coluna do vini
Postado por Diego Nunes às 22:55
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